O quarto capítulo do livro se inicia com a noção de que o tempo e espaço estão sincronizados de certa maneira na qual ambos podem sofrer permutação, contudo, não podemos nos considerar presos à ideia de espaço-tempo como algo fixo, principalmente quando, na fotografia, a mudança constante desses dois conceitos permite ocorrer a diferenciação, e assim, por mais que a base seja semelhante, nenhuma foto é idêntica a outra, como expresso na citação "Fotografias são imagens de conceitos, são conceitos transcodificados em cena". Além disso, ainda na 4º parte da obra, o filósofo compara as ações do fotógrafo junto do seu aparelho com as de um caçador que procura sua presa, visto que, uma hora, o fotógrafo e seu aparelho se unem numa "unidade funcional inseparável" em busca da melhor cena possível. Ainda é possível notar a mesma linhagem de pensamento sendo seguida ao iniciar o 5º capítulo, que as fotografias são, no fundo, cenas capturadas, e que antes de virarem fotografia, não se passam de conceitos, o autor chega a comparar a mudança no foco das críticas das pinturas para as imagens, como citado no trecho "Ao contrário da pintura, onde se procura decifrar ideias, o crítico de fotografia deve decifrar, além disso, conceitos". Porém, também nessa parte do livro, Flusser distingue as intenções do aparelho e do fotógrafo, e, na síntese, o primeiro pretende apenas realizar seu programa com o intuito de receber feedback, e o segundo visa eternizar nos outros o conceito expresso na imagem. É possível perceber também, a crítica àqueles que se rendem à máquina e não pretendem explorar as ferramentas oferecidas pelo programa a favor deles, se afundando no poço da mesmice e irrelevância, já que suas obras oferecem os mesmos conceitos que muitas outras já apresentaram, por mais que em um espaço-tempo diferente. A sexta parte da obra aborda a distribuição das obras finais à sociedade, mais especificamente por meios físicos, visto a data da obra, porém aborda ideias que descrevem a circulação de imagem atual por meio das mídias; o escritor traz à tona o conceito de interação dialógica, pois, assim que distribuídas, as fotografias estão sujeitas à mudanças não antes previstas, que tem a capacidade de alterar parcial ou completamente o entendimento de quem a vê. Por fim, é citado como "a fotografia como objeto tem valor desprezível", visto que a replicação desta se tornou muito mais fácil, diferente da replicação de uma pintura, que tem os traços únicos de seu pintor, e que na verdade o valor da fotografia "está na informação que transmite", por isso, imagino, Flusser insiste desde o início de sua obra que a foto se baseia em conceitos, que são transformados em cenas e capturados pela máquina.
PERFORMANCE Mariana Costa Eveli Gomes Victor Hugo Théo Bizarri Francisco Ruiz Marina Almeida Anna Luiza Fernandes
Comments
Post a Comment